Flávia Durante

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Gordas e vegetarianas? Para espanto dos gordofóbicos, elas existem!

Flávia Durante

09/08/2017 04h00

Carolina não come carne e evita produtos de origem animal. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Não sou vegetariana, nem vegana. Mas tenho diminuído o consumo de carne e de produtos industrializados ultimamente. Um dos maiores estigmas que atingem as pessoas gordas é em relação à alimentação. Muitos pensam que o gordo se alimenta de bacon no café da manhã, hamburger no almoço, cachorro-quente no jantar e que passa longe de um bom prato de verduras e legumes. Mas não é bem assim! Muitos prezam por uma alimentação saudável, mas não mudam o seu peso por conta de sua constituição física.

Quando escolho ir a um restaurante natural, alguns amigos reviram os olhinhos como se dissessem: “VOCÊ come salada?!”. Também cansei de ouvir nos almoços de firma o famoso bordão do Bart Simpson: “salada não leva a nada” enquanto passava feliz pela área verde do quilão.

Muitas mulheres gordas estão indo além e tirando totalmente a carne e produtos de origem animal de seu cardápio. É o caso da blogueira e turismóloga Carolina Vayda, 31 anos. “Há algum tempo vinha reduzindo a quantidade de carne na minha alimentação. Até que um dia resolvi não colocá-la mais no meu prato. Desde então não sinto vontade alguma e tenho me divertido conhecendo novas opções, texturas e sabores”.

No Brasil estima-se que 8% da população seja vegetariana, segundo pesquisa de 2012 do IBOPE. O mercado vegano cresceu 40% ao ano. Dados do Instituto Ipsos reforçam que 28% dos brasileiros estão tentando comer menos carne. É natural que os gordos estejam nessas estatísticas.

Além de não comer carne, Nicole não usa cosméticos que fazem testes com animais (Foto: Arquivo pessoal)

 

Muitos gordos contam que há surpresa quando revelam sua orientação alimentar. Afinal acham que o gordo sempre tem uma alimentação carnívora e gordurosa. “Já chegaram a me perguntar como eu podia ser vegana e gorda ao mesmo tempo”, conta a transcritora Michelle Henriques, 30, cujo pai era açougueiro.

A decisão pode vir por ideologia ou pela melhora dos hábitos alimentares. Para a analista de atendimento bilíngue Letícia Quintella, 29, que é vegana, o motivo é exclusivamente pelos animais. “A indústria da carne é muito cruel e a dos ‘produtos’ de origem animal, pior ainda. Não consigo comer um pedaço de bacon ou algo com queijo, pois vou pensar diretamente nisso”.

Nicole Duarte, 31, especialista em marketing digital, parou de comer carne e começou a se preocupar com produtos testados em animais, com soluções naturais e de menor impacto para o mundo quando limpa a casa ou faz sua maquiagem, por exemplo. “Não sou vegana e não consumo apenas produtos sem crueldade, estou evoluindo no meu ritmo e não vou forçar a barra. Se for rolar qualquer outra mudança quero que seja do mesmo jeito, naturalmente e com amor“, finaliza.

A catalã Marta Martinez, 37, é mestra em nutrição e saúde e mantém o blog Mi Dieta Vegana, cujo Instagram @midietavegana conta com mais de 90 mil seguidores. Ela publica diariamente pratos lindos, coloridos e saudáveis baseados na alimentação sem carne. Mas quando publicou fotos de biquíni no verão começou a ser atacada. Tanto pelos gordofóbicos de sempre, quanto por veganos que a chamavam de mentirosa pois “jamais uma pessoa com tais hábitos poderia ser gorda.

“Se pode ser uma vegana gorda como uma vegana esportista de elite”, desabafou Marta em seu blog depois dos ataques.

No entanto, o vegetarianismo e o veganismo não são dieta de emagrecimento e sim um estilo de vida que implica em ética e consciência com os animais. Não devem ser distorcidos como apenas mais uma dieta cheia de esteriótipos para padronizar e ditar regras sobre os corpos das mulheres.

Vemos aqui vários exemplos de mulheres que mesmo seguindo uma alimentação saudável continuam sendo questionadas. A preocupação, no fundo, no fundo, não é com a saúde delas mas sim com a obediência feminina e a própria dificuldade em aceitar o corpo gordo.

Sobre a autora

Flávia Durante, tem 40 anos e é comunicadora, DJ e empresária nascida em São Paulo e criada em Santos. Desde 2012 produz a Pop Plus, feira de moda e cultura plus size, com média de público de 8 mil pessoas por evento. Ao longo destes 5 anos tem desmistificado conceitos e conselhos que mulheres (e homens também) vem ouvindo há décadas sobre os padrões da moda.

Sobre o blog

Um espaço para falar de mercado e moda plus size, beleza, acessibilidade, bem estar e autoestima.

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