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Na cultura pop, gordo vira chacota ou é mostrado como companhia assexuada

Flávia Durante

08/11/2017 04h00

A atriz Courteney Cox na versão gorda da personagem Monica, em "Friends" (Foto: Divulgação)

O gordo na cultura pop é sempre visto como o alívio cômico, o amigão da galera ou o vilão grotesco. A mulher gorda dificilmente é alvo de amor ou de carinho. Ou, quando isso acontece, o mocinho tenta consertá-la ou a enxerga por dentro, sem os seus "defeitos".

É o que acontece em "O amor é cego", filme de 2001 dos Irmãos Farrelly. No enredo, o personagem Hal, interpretado por Jack Black, é hipnotizado e passa a ver somente a beleza interna das mulheres. Então, conhece Rosemary (Gwyneth Paltrow), mulher gorda mas que é vista por ele como o ícone padrãozinho: magra, alta e loira. E dá-lhe reforço de estereótipos.

Eu me lembro muito bem do "passado gordo" de Monica, da amada série "Friends", que era ridicularizada o tempo todo por isso. E dos personagens grotescos vividos em filmes por Eddie Murphy e Martin Lawrence. Vestindo fat suits (macacão com enchimentos para simular o corpo gordo), sempre estereotipavam pessoas gordas como glutonas, mal educadas e sem higiene.

Ok, são referências já de alguns anos atrás, o contexto era outro e éramos jovens e inocentes. Não precisa ter raiva de "Friends" e nem dos filmes que você amava na "Sessão da Tarde"! Mas até hoje ainda são bem poucos os exemplos positivos e longe de esterótipos de pessoas gordas no cinema e TV.

No Brasil, as gordas são sempre as virjonas ou fogosas em nossas novelas, séries ou programas. O gordo é o gritalhão ou o bonachão. A melhor representação positiva que tivemos ultimamente foi a Biga, representada pela ótima atriz Mariana Xavier em "A Força do Querer", que terminou recentemente. Mas ainda assim não escapou do clichê da mulher gorda que se torna modelo plus size.

Documentário expõe a gordofobia na cultura pop

A Moda e a Publicidade não são as únicas responsáveis pela pressão estética que mulheres e homens sofrem no século XXI. A cultura pop está diariamente nos mostrando nos filmes, séries, videoclipes e novelas que para o gordo só existem três papéis: o da chacota, o da companhia assexuada ou o da rejeição.

"Fattitude: A Body Positive Documentary" é um documentário que expõe como a cultura pop enfatiza o preconceito contra o gordo, minando assim a autoestima de milhões de pessoas. Afinal, quando você só é retratado como estepe, vilão ou piada isso afeta diariamente a construção de nossa autoimagem.

Dirigido pelas norte-americanas Lindsey Averill e Viri Leiberman, o filme reúne entrevistas com ativistas, atores, atrizes, diretores e roteiristas de Hollywood questionando esses estereótipos e também oferece uma maneira alternativa de pensar. Depois de passar por uma campanha de financiamento coletivo em 2015, o filme finalmente foi lançado em Nova York no último final de semana e ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

O ódio e o preconceito contra as pessoas gordas é a última fronteira a ser quebrada no novo mundo diverso que está sendo construído. Que trabalhos como esse ajudem a mudar a cabeça de muita gente.

Assista ao trailer:

Site: www.fattitudethemovie.com

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Sobre a autora

Flávia Durante tem 41 anos e é comunicadora, DJ e empresária nascida em São Paulo e criada em Santos. Desde 2012 produz a Pop Plus, feira de moda e cultura plus size, com média de público de 10 mil pessoas por evento. Ao longo destes 6 anos tem desmistificado conceitos e conselhos que mulheres (e homens também) vem ouvindo há décadas sobre os padrões da moda.

Sobre o blog

Um espaço para falar de mercado e moda plus size, beleza, acessibilidade, bem estar e autoestima.

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