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Flávia Durante

Flávia Durante

Como é ser a única gorda na praia de nudismo

Flávia Durante

30/09/2017 04h00

Símbolo da praia de nudismo de Mar Bella (Foto: Arquivo pessoal)

A nudez nunca foi tabu para mim. Sempre foi um tema tratado com naturalidade na minha família. Tanto que jamais me incomodei em trocar a roupa na frente de ninguém em provadores, clubes e em vestiários de academia. Um corpo é tão somente um corpo.

Nunca quis posar para ensaios fotográficos de nu, embora os ache lindos. Mas desde muito jovem sempre tive vontade de nadar peladona no mar. Sou de Santos, litoral de São Paulo, e não há praias naturistas muito próximas. É uma região bem conservadora, até.

Já aos 19 anos, nos idos de 1996, consegui realizar esse sonho, em uma das praias de Trancoso, na Bahia. Não me esqueço da sensação de liberdade e de pleno contato com a natureza. Porém a praia era quase deserta, eu estava com parte da família e no esplendor da juventude.

No ano passado, fiquei 20 dias de férias em Barcelona e um dos passeios que me programei para fazer sem falta foi o da Praia de Mar Bella, conhecida praia de nudismo da cidade catalã. O contexto era outro. Eu era uma mulher de quase 40 anos, com o corpo totalmente diferente, viajando sozinha e em uma praia urbana às vésperas do verão europeu. Ou seja, bem cheia.

(Foto: Arquivo pessoal)

Cheguei lá de roupa e sentei na canga, observando várias pessoas nuas, jovens e maduras à minha volta. Em sua maioria homens, pois a Mar Bella é um point gay. Mas o que me intimidou não foi esse fato e nem o de eu ser uma das poucas mulheres na areia. E sim o de eu ser a única pessoa gorda na praia, até onde minha vista alcançava.

Levei alguns minutos até tomar coragem de me despir. Tirei a parte de cima, me deitei novamente para me bronzear. Até que percebi que ninguém estava nem aí para mim ou para a hora da Catalunha. Estava cada um na sua, curtindo seu sol, sua música, sua leitura, sua companhia… E eu ali sozinha, com minhas encanações.

Até que finalmente caiu a ficha: "não vim aqui até o Mar Mediterrâneo para entrar no mar de biquíni, né, meu amor?!". Me levantei, tirei também a parte de baixo e entrei no mar, vitoriosa. E esplendorosa. Nadei, nadei e nadei naquele mar gelado até às 20h. E voltei, no dia seguinte, já tirando a roupa logo de cara.

Já estou pensando na próxima praia a explorar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Flávia Durante tem 41 anos e é comunicadora, DJ e empresária nascida em São Paulo e criada em Santos. Desde 2012 produz a Pop Plus, feira de moda e cultura plus size, com média de público de 10 mil pessoas por evento. Ao longo destes 6 anos tem desmistificado conceitos e conselhos que mulheres (e homens também) vem ouvindo há décadas sobre os padrões da moda.

Sobre o blog

Um espaço para falar de mercado e moda plus size, beleza, acessibilidade, bem estar e autoestima.